Fé e Razão
Manual Em Defesa da Fé (Editora Central Gospel).
1. A importância da questão
2.
Definições
2.1 Fé
2.2 Razão
3.
A relação entre os objetos da fé e da
razão
3.1. Racionalismo
3.2. Fideismo
3.3. Coincidência entre a fé e a
razão
3.4. Dualismo
3.5. Superposição parcial
A) Verdade conhecidas apenas pela
fé;
B) Verdades conhecidas tanto pela fé
como pela razão;
C) Verdades conhecidas apenas pela
razão.
4.
A fé e a razão nunca podem contradizer-se
5.
Apenas a falsidade poder contradizer a
verdade
6.
Deus é o Mestre da fé e da razão
7.
Objeções
Objeção
1: Como podermos compreender a mente superior e infinita de Deus com a
razão humana?
Objeção
2: Não é uma atitude humilde menosprezar o poder da razão?
Objeção
3: Não é uma atitude orgulhosa afirmar que podemos saber muito a respeito
de Deus?
Objeção 4: Por que existem tantos
descrente tão brilhantes?
Objeção
5: As razões dos cristãos não são na verdade racionalizações?
Objeção
6: A razão não anula o mérito da fé?
8. Adendo
Perguntas para debate
Nota explicativa
Fé e Razão
1. A importância da questão
De certa maneira, o matrimônio entre
fé e razão é a questão mais importante na apologética, porque é a principal. Se
a fé e a razão não forem parceiras, se estiverem divorciadas o formem
incompatíveis, como gatos e passáros, então a apologética se torna impossível,
pois esta consiste em aliar a razão e fé, em defender a fé com
as armas da razão.
2. Definições
É fundamental esclarecermos nossa
definições de fé e de razão,porque esses termos geralmente são
usados de maneira vaga ou equivocada. Ao defini-los, distinguindo o significado
de cada termo, removemos a indeterminação e evitamos os equívocos.
2.1.
Fé
Primeiro, precisamos distinguir o ato
de crer do objeto da fé, separando a crença daquilo em que cremos.
1.
O objeto da fé é tudo aquilo em que
cremos. Para os cristãos evangélicos, isso engloba tudo que Deus revelou na
Bíblia. Esse objeto fé é expresso por proposições que nos permitem
entreve não é a fé, mas o objeto da fé. Os atos litúrgicos e morais, por
exemplo, são proposições que exprimem em que cremos. Entretanto, não são
os objetos derradeiros da fé; são apenas objetos secundários. O objeto
derradeiro da fé é apenas um: a Palavra de Deus, o próprio Deus. As proposições
são o “mapa”, a estrutura da fé. Deus é o objeto real da fé e também o Autor
da fé – o que revela as doutrinas objetivas em que cremos, bem como Aquele
que inspira o coração do ser humano que escolhe livremente acreditar nelas.
É errado
parar no nível das proposições e não deixar nossa fé alcançar o Deus
vivo, bem com denegrir as proposições, considerando-as dispensáveis ou
até mesmo nocivas à fé viva. Sem um relacionamento real com o Deus vivo, as proposições
inúteis, porque o objetivo delas é apontar para além de si próprias e
revelar Deus. ( “Um dedo é útil para apontar para a lua, mas ai daquele que
confunde o dedo com a lua”, diz um sábio provérbio.) Entretanto, sem as
proposições, não podemos permitir que outros vislumbre o Deus em quem
acreditamos e o que cremos a respeito dele.
2.
O ato da fé é mais do que um mero ato de crer. Acreditamos em
muitas coisas – por exemplo, que determinado time de futebol irá ganhar o jogo,
que o presidente não é um mau caráter, que a Noruega é um belo país –
entretanto, não estamos dispostos a morrer por essas crenças e não podemos
vivê-las a cada momento. Entretanto, a fé religiosa tanto pode
estimular-nos a morrer em prol do que cremos como a viver a cada instante. A fé
religiosa é muito mais do que um mero ato de crer; é muito. Mas o simples
ato de crer faz parte da fé e é um de seus aspectos.
Podemos distinguir pelo menos quatro ou
dimensões da fé religiosa. Em hierarquia – da menos importante para a
mais importante e essencial, e da mais externa para a mais interna, ou seja,
conduzindo a aspectos cada vez mais centrais ao ser humano -, podemos
caracterizá-los como (a) fé emocional, (b) fé intelectual, (c) fé
voliiva e (d) fé no íntimo.
a) A fé
emocional é a sensação de segurança ou de confiança em uma pessoa. Isso
inclui a esperança (que é muito mais forte do que mero desejo) e a paz (que é
muito mais intensa do que uma simples tranquilidade no íntimo).
b. A fé intelectual é a crença. Esta é mais forte do que a fé emocional por ser mais estável e
imutável, como uma âncora. Minha mente pode crer embora meus sentimentos
estejam abalados. Essa crença, porém, é muito mais rigorosa, diferente de uma
mera opinião. A antiga definição de fé
intelectual era “um ato do intelecto, estimulado pela vontade pessoal, pelo
qual acreditamos em tudo que Deus revelou, com base na autoridade do Senhor”. É
esse aspecto da fé que está formulado nas proposições
e resumido nos credos.
c. A fé volitiva é um ato da vontade humana, o compromisso de obedecer à
vontade de Deus. Isso é o que chamamos de fidelidade.
Ela se manifesta no comportamento, ou seja, através das boas obras. Uma
esperança mais profunda que um mero desejo é fundamental para a fé emocional, e uma crença mais profunda
do que uma simples opinião é fundamental para a fé intelectual. Portanto, um amor mais profundo do que o comum é a
base da fé volitiva. A raiz dela – a
vontade pessoal – é a faculdade ou o poder da alma que está mais próximo da
raiz pré-funcional (d).
O intelecto é o navegador da
alma, mas a vontade é seu capitão. O intelecto é como o S. Spock, da série Jornada nas Estelas. A vontade é como
Capitão Kirk, e os sentimentos são como o Dr. McCoy, o médico da equipe. A alma
é como a nave Enterprise. A vontade a
tomar uma atitude, apenas tem a capacidade de informa-la, assim como o
navegador diz ao capitão o que se passa com a nave. Entretanto, a vontade não
pode simplesmente nos forças a crer. Ela não pode exigir que o intelecto
acredite no que aparenta ser falso ou deixar de crer naquilo que parece ser
verdadeiro. A crença se manifesta quando decidimos agir com a sinceridade e
aplicar nossa mente a serviço da verdade.
d. A fé salvadora te inicio naquele centro misterioso e obscuro de nosso
ser que as Escrituras chamam de coração.
Na Bíblia (e de acordo com os pais da igreja, principalmente Agostinho), esse
termo não significa sentimentos ou emoções, mas o centro absoluto da alma,
assim como coração, órgão, está no centro do corpo. O coração é a parte de nós
onde o Espírito Santo de Deus atua. O coração
não é uma espécie de objeto interior, com as emoções, o intelecto ou a vontade.
É o próprio ser, o eu, o sujeito
constituído por emoções, mente e vontade.
Salomão nos instruiu: Sobre tudo
o que se deve guardar, guarda o teu coração, porque dele procedem as saídas da
vida (Pv. 4.23). Com o coração, assumimos a postura fundamental de dizer sim o não a Deus, e escolhemos nossa identidade e nosso destino eterno.
No entanto, a fé intelectual sozinha
não é suficiente para a salvação, pois até os demônios creem e estremecem
(Tg 2.19). a esperança e, acima de tudo, o amor precisam ser acrescidos à fé (1 Co 13.13). esta fé no íntimo é uma
fé salvadora – ela promove a
salvação, e necessariamente reduz as boas obas do amor, assim como uma árvore
saudável produz bons frutos.
2.2. Razão
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